Música e Adoração

Equipes de Louvor – Relacionamentos (Felipe Alves Davi)

Não é nada engraçado ver as chamadas “equipes de louvor” fracassarem em sua função para com a congregação: ajudar, guiar, nos momentos das cantos congregacionais. Em muitas igrejas, a figura do Regente – que era o guia dos cantos congregacionais – se perdeu. Fato, mas triste. (Hoje, o regente da igreja é a bateria). Contudo, creio que podemos ter um canto congregacional de qualidade (tonalidades adequadas para a congregação, letras cristocêntricas com conteúdo bíblico-teológico e técnica musical bem aplicada a prática de conjunto).

O problema é que mesmo sabendo tudo isso, muitas bandas esquecem algo primordial: o relacionamento interpessoal. Isso porque, na Igreja – pasmem! – o povo esquece as recomendações de Jesus: “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?”.

Pensando nisso, achei um artigo chamado “10 Atitudes Proibidas no Trabalho em Equipe*”, da Revista Exame. Vou usar como base e “traduzir” para o contexto de uma banda.

1. SER INFLEXÍVEL E NÃO TRANSPARENTE NA COMUNICAÇÃO
“Um dos principais erros é a pessoa se comunicar da mesma forma com todo mundo”, diz Marcia Rezende, diretora do Instituto de Thalentos. Conforme ela explica, comunicar-se bem não é simplesmente falar bem. “É preciso ter flexibilidade na comunicação e vontade de compreender o outro”, explica.
“É algo relacionado à empatia. Se uma pessoa é mais delicada o ideal é ser mais sutil na comunicação, com alguém mais focado em fatos e dados é melhor ser mais objetivo”, diz Meiry Kamia, consultora organizacional.

Ou seja, precisamos aplicar o que está escrito em Filipenses 2:3: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”.

2. NÃO ALINHAR O OBJETIVO
“Se essas pessoas não encontram um objetivo em comum que mova a equipe, todo o trabalho pode ser comprometido”, segundo Marcia. “Uma equipe desalinhada custa para a organização”, diz.

Os componentes de uma banda/equipe de louvor precisam se perguntar: “qual é o meu objetivo em participar dessa equipe, nesta igreja?”

3. COMPROMETIMENTO ZERO
Um participante não comprometido vai prejudicar os resultados atingidos por toda a equipe. “Sem valores e objetivos alinhados, a chance de faltar comprometimento é alta porque o trabalho precisa fazer sentido para o profissional”, diz Marcia.

A velha história de sempre: Compromisso. Se você não se doar pela equipe, não priorizar o serviço/ministério, trocar outros eventos pelos ensaios/cultos ou não respeitar a escala, os resultados serão mínimos. Por isso é importante se comprometer com no máximo 3 ministério na sua Igreja.

4. FALTA DE PLANEJAMENTO E DE RESPEITO A PRAZOS
Sem participantes focados e com planejamento nenhuma equipe vai para frente. É importante que as prioridades sejam dadas e que cada um saiba muito bem qual o seu papel dentro da equipe e siga à risca o que foi definido, na opinião de Márcia. “É preciso saber o que é urgente, o que é prioritário e respeitar os prazos”, diz a especialista.

Existe ou deve existir um planejamento na sua banda. Escala de cultos, músicas novas, arranjos novos, ensaios extras, acompanhamento de Coros, Solistas, Grupos, etc. Os componentes precisam respeitar o planejamento. Igreja não é “cada um faz o que quer, quando quer e na hora que quer”.

5. CRITICAR UM PARTICIPANTE NA AUSÊNCIA DELE
Descontente com a atitude de um dos colegas de equipe, o profissional reclama dele para as outras pessoas. Pode até parecer inofensivo, mas não é, segundo Meiry.
“Gera um mal estar tremendo”, diz a consultora. “Falar diretamente é muito melhor porque reduz a interferência e dá a chance de a pessoa receber um feedback sobre as suas ações”, explica.

Chamamos essa atitude de “fofoca” na Igreja e isso deve ser abolido. Além disso, quando for conversar com o outro irmão sobre as tais atitudes, precisa ser com amor, respeito; afinal de contas, ele deve ter algumas reclamações sobre suas atitudes também, já que NINGUÉM é perfeito.

6. DESVALORIZAR O TRABALHO DO OUTRO
Em mercados cada vez mais competitivos, a tendência é valorizar demais o trabalho individual dentro da equipe e ignorar ou desvalorizar o esforço dos outros participantes. “Com a competitividade como pano de fundo, este é um erro comum”, diz Meiry. Lembre-se de que uma postura assim transmite a imagem de arrogância.

Por incrível que pareça, na Igreja infelizmente acontece competições, mas não deveria. Todo mundo tem problemas pessoais, todo mundo tem algum defeito ou dificuldade de aprendizado. Ninguém é melhor que ninguém, nem na vida e muita menos na Igreja.

7. NÃO ASSUMIR ERROS
Certamente uma pessoa assim já deve ter cruzado o seu caminho. Ótimos em apontar o dedo e denunciar o erro alheio e péssimos na hora de assumir seus próprios equívocos. “Se alguém da equipe erra, o certo seria que o erro fosse encarado como sendo de todos, mas infelizmente a realidade não é essa”, diz Meiry.

“Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês. Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão”. Mateus 7:1-5

8. IGNORAR AS REGRAS ESTABELECIDAS PELA EQUIPE
Respeito às diretrizes é essencial, mas nem todo mundo faz isso. “Muitas pessoas acabam ignorando as regras e fazendo as coisas do jeito que elas acham melhor”, diz Meiry.

Se existe uma liderança, boa, que está indicando o melhor caminho, não há porque criar problemas. Questionar, sim. Criar contendas, não. Seja obediente!

9. DESEQUILÍBRIO EMOCIONAL
Tomar feedbacks negativos como perseguição pessoal, melindrar-se diante de críticas construtivas, perder a calma e apelar para gritos e grosserias. Estes sintomas podem indicar que o profissional peca em relação ao equilíbrio emocional, segundo Meiry. Além de ser prejudicial ao andamento do trabalho de toda a equipe, há o risco de essa pessoa acabar isolada.

Isso é o que muitas vezes acontece dentro de uma equipe de louvor. Chamamos isso de “falta de maturidade”. Ser maduro não é somente saber, mas colocar em prática tudo o que sabe. A Bíblia diz: “considere os outros superiores a si mesmo”. Na prática, “coloque-se no lugar do outro e analise a sua vida, veja se há algo que você precise mudar e não queira mudar o outro. Jesus sempre se reporta para nós como indivíduo – não julgues, não aponte, tira a viga do (próprio) olho”. Jesus não diz: “O outro precisa mudar”. Ele diz: “Você precisa mudar!”.

10. NÃO ACEITAR AS DIFERENÇAS
Entender que a heterogeneidade de uma equipe é um aspecto a ser valorizado nem sempre é comum. “Entender e respeitar as diferenças é essencial, mas muita gente quer moldar as pessoas de acordo com seu ponto de vista”, diz Meiry.
É claro que os embates vão acontecer, mas tentar entender os outros é o caminho correto na hora de solucionar conflitos e construir alianças. “Negociação é fundamental”, lembra Márcia.

Difícil é trabalhar numa equipe dividida. Pessoas que não aceitam, de maneira branda, mudanças necessárias. Não aceitam recomendações. Não aceitam ensinamentos novos. Não aceitam uma liderança. Não aceitam ver através dos olhos dos outros irmãos. Só pensam em si, o que é bom pra ele, e somente ele. Porém uma banda de igreja/equipe de louvor precisa entender que está ali para servir a congregação. E quem serve, não manda. Quem serve, se doa.

Que esse conhecimento nos sirva como prática. Não importa o que fez ou deixou de fazer o seu colega de equipe. Faça a sua parte: perdoe, ame e sirva. Perdoe os erros, porque você também tem. Ame o seu irmão, conversando quando for necessário, ajudando-o em tudo. E sirva, com sua música, sua técnica, não só a Igreja, mas o seu colega/irmão de equipe.

Lembrem-se sem Comunhão, não há Adoração. Isso é bíblico!

* Reportagem de Camila Pati (http://exame.abril.com.br/jornalistas/camila-pati); Adaptação, Felipe Alves Davi.

Blog do Felipe: http://philldavi.blogspot.com.br/

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