Música e Adoração

Tocai bem e com júbilo

Tocai bem e com júbilo. (Salmo 33.3b)

O contexto dessa passagem fala da Música como natural forma de expressão de:

a) Justiça (v. 1): "Regozijai-vos no Senhor, vós justos, pois aos retos fica bem o louvor". A principal diferença entre nós e os músicos ditos seculares é a oferta dos nossos dons e talentos para louvor do Senhor. Se nossos corações não estão centrados na retidão, em uma vida correta diante de Deus, somos meros músicos, e não adoradores.

 
b) Coletividade (v. 2): pra quem nunca viu uma harpa e um saltério, seguem as figuras. No livro dos Salmos há citações de ambos tocando separadamente (Sl 71.22) ou em conjunto (Sl 81.2 e 150.3). Outra citação da harpa é em 1 Sm 16.16 onde a harpa é tocada separadamente. O texto sugere que saltério e harpa toquem em conjunto. Isso demanda entrosamento e preparo para que não haja sobreposição de instrumentos e que a composição complexa seja harmoniosa (e não uma colcha de retalhos).
 
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c) Alegria (v. 1, 3): O chamado a regozijar-se, seguido da ordem para tocar com júbilo (v. 3), demonstram que o louvor não pode ser algo mecânico ou corporativo onde as pessoas "batem o ponto" para cumprir uma escala. Esse é o tópico mais difícil pois a alegria não pode ser ensinada, ensaiada ou imposta, mas é o reflexo da experiência pessoal com Deus (Hb 13.15).
 
Voltando ao texto-base, por mais simples que pareça a ordem, conjugar as duas coisas é mais complicado do que parece. 
Primeiro porque músico que acha que toca bem já está fadado ao fracasso, conformando-se com algo que pode melhorar muito (Ec 9.10, Tg 4.17). Tocar bem é consequência de talento e esforço, estudando e praticando, procurando dia-após-dia sua superação. No meu caso, alguns baixistas profissionais me fazem pensar em cavar um buraco na terra e me jogar com meu baixo reconhecendo que há muito a melhorar. Os demais instrumentistas mais experientes devem ter seus nomes de estimação também. A motivação para tocar bem pode estar associada à vaidade, ao simples gosto pela música ou para provar para as pessoas que a pessoa se destaca em alguma coisa, por exemplo. Portanto, não é necessário ter um preparo espiritual para tocar bem, por isso o versículo não termina assim.
 
Por outro lado, tocar com júbilo depende de tudo o que o músico estava vivendo antes de pegar seu instrumento. No caso do salmo, o júbilo é fruto da retidão (v. 1), de modo que escolher músicas alegres ou rebuscada não trarão a alegria necessária para complementar o "tocar bem". Certamente, depois de uma semana de trabalho e de responsabilidades com a família e com a Igreja, nosso desgaste nos faz questionar essa alegria. Mas estejamos certos de que ela está lá e que nada que o Inimigo quiser usar para evitar nosso acesso a ela vai tirá-la de nós.
 
Concluindo: muitas vezes, quando não conseguimos cumprir o que a Palavra diz (nesse caso, tocar bem e com júbilo), somos sugestionados a desistir, a procurar algo que seja mais cômodo ou que ofereça resultados mais objetivos. Eu digo que a exortação é em amor como incentivo a buscar rever seus conceitos, orientar sua conduta no caminho certo e seguir em frente. 
 
Que Deus nos abençoe.

Ivanildo Barbosa
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Contrabaixista, trabalha no ministério de música da Primeira Igreja Batista de Lins – Rio de Janeiro

 

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